ABS do AVC

Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006

Mais vale prevenir...

As medidas preventivas são decorrentes do conhecimento sobre os factores de risco. Existem riscos que não são modificáveis. Por outro lado, existem aqueles sobre os quais podemos actuar para que a doença possa ser prevenida.

Medidas preventivas:


- Tratar a hipertensão arterial;
- Parar de fumar;

- Limitar o consumo de bebidas alcoólicas;

- Controlar o peso;
- Reduzir o colesterol e os triglicéridos;

- Tratar a Diabetes e/ ou doenças cardiovasculares;
- Realizar exercício físico regularmente;

- Somente usar contraceptivos orais, antiagregantes e anticoagulantes com orientação médica.



Apoio Especializado

Para ajudar as pessoas que tiveram um AVC, para além do contributo da sua família e amigos, pode ser necessária a intervenção de vários profissionais, tais como a do Médico Assistente, Enfermeiro, Fisioterapeuta, Terapeuta Ocupacional, Terapeuta da Fala, Assistente Social, entre outros.

Cabe ao Enfermeiro orientar o doente e estimulá-lo a fazer os exercícios em casa, assim como aconselhar quanto aos cuidados a ter com a pele, bexiga e intestinos, e ajudá-lo na escolha e utilização de dispositivos e aparelhos de que necessita. Cabe-lhe também dar informações, apoio e orientações à família e a outras pessoas envolvidas na prestação de cuidados.

Actividades domésticas

Cozinha

Deve organizar-se a cozinha de forma a que a pessoa possa executar as tarefas sentada, numa cadeira confortável. A mesa de trabalho deve ter altura adequada à estatura do utilizador. Os produtos alimentares e os utensílios de cozinha deverão estar guardados em locais de fácil acesso.
Os armários e gavetas deverão ter puxadores que se possam manejar com uma só mão. Para tornar mais fácil a execução das tarefas domésticas, devem ser utilizados, sempre que possível, aparelhos eléctricos, como o isqueiro eléctrico, em vez de fósforos, abre-latas eléctrico, entre outros.
A utilização de alimentos congelados, e parcialmente preparados, facilita a confecção das refeições.

Limpeza da casa

As tarefas mais pesadas terão, certamente, que ser realizadas por outra pessoa. O doente pode, no entanto, com a mão sã, servir-se de escovas, esfregonas ou do aspirador. Para lavar a roupa, é desejável uma máquina.
O estendal de roupa e a tábua de engomar devem ser ajustados à altura da pessoa, e o ferro de engomar deve ser leve.

Calças

Para vestir, a pessoa deve sentar-se, cruzar a perna afectada com a ajuda da mão sã e enfiá-la nas calças. Em seguida, introduzir o pé são na outra perna das calças e puxá-las para cima. Se conseguir estar de pé, deve encostar-se a uma parede ou a um móvel seguro e puxar as calças com a mão sã. Caso contrário, terá que se deitar, dobrar o joelho são e apoiar-se sobre o pé são, para levantar as ancas, puxar as calças até à cintura e abotoá-las.


Para despir, se conseguir equilibrar-se em pé, deverá apoiar-se com a perna sã, desapertar as calças e puxá-las para baixo; sentar-se e despir, em primeiro lugar, a perna sã. Cruzar a perna afectada e despi-la. Se não se conseguir equilibrar, terá que se deitar e desapertar as calças,
dobrar o joelho são (empurrando o pé são contra a cama para levantar as ancas) e despir as calças.


Meias

Para calçar, com a mão sã, cruzar a perna afectada, de forma a que o pé fique ao alcance da mão sã; com a ajuda desta mão, colocar a abertura
da meia no pé afectado e, já com o pé no chão, acabar de a calçar.

Para descalçar, com a mão sã, cruzar a perna afectada e descalçar a meia. Em seguida, cruzar a perna sã e descalçar a outra meia.


Sapatos


Para calçar, com a ajuda da mão sã, cruzar a perna afectada, segurar o pé afectado e introduzi-lo no sapato. Se não conseguir calçar totalmente o sapato, utilizar uma calçadeira de cabo comprido. Se o pé não entrar facilmente, pô-lo no chão e fazer força com o joelho, tendo o cuidado de manter a calçadeira no sítio.


Camisa, vestido ou casaco

Para vestir a pessoa, sentada, deve desdobrar a camisa, desabotoá-la no colo, com a parte da frente voltada para baixo e o colarinho afastado de si. Com a mão sã, meter a mão doente na manga correspondente e ajustar a manga pelo braço acima. Atirar o resto da camisa para trás de si e puxar a manga da camisa para cima, até que fique encaixada no ombro. Introduzir, em seguida, a mão sã na outra manga e vesti-la.
Um vestido, uma camisola ou um casaco é vestido da mesma maneira que uma camisa. No entanto, no caso de um vestido, é necessário levantar-se e ajeitar a saia antes de abotoá-la.



Para despir, com a mão sã, puxar a camisa do ombro afectado; agarrar o meio da frente e retirá-la para o lado, despindo o ombro são. Retirar o braço são da manga. Com a mão sã, segurar o punho e despir a manga do braço afectado.

Vestir/ Despir

Mesmo que a pessoa não possa sair de casa, deve arranjar-se como se fosse sair.
É necessário fazer algumas adaptações no seu vestuário.
Os fatos de treino podem ser uma boa opção: são quentes, confortáveis e as calças têm um cós de elástico muito prático. As calças poderão ser mais fáceis de vestir do que as saias e as meias, especialmente quando for necessário o uso de talas.
Os sapatos devem ser de tamanho adequado, aconselhando-se os que têm elásticos laterais, pela facilidade com que se calçam e descalçam; os "ténis" com fita de velcro são mais práticos do que os de atacadores.
As roupas para o tronco devem ser abotoadas à frente. As casas dos botões devem ser alargadas, e os botões pequenos devem ser substituídos por outros maiores.
Se usar gravata, esta deve ter o nó já feito.


Fazer a barba

Sentar-se numa cadeira, junto a uma mesa, sobre a qual se põe o espelho. É preferível usar máquina de barbear. Se usar lâm
ina de barbear, coloque a mão afectada debaixo do queixo, para apoiar a cabeça, ou coloque o queixo sobre almofadas.
Pentear

Poderá usar um pente de cabo comprido ou atar uma pega comprida ao pente.
Cuidar das unhas

Se não puder fazer convenientemente, o doente deve ser auxiliado nesta tarefa.

Banho

Equipamento para garantir a segurança do doente na banheira:

- Usar duas cadeiras, uma colocada dentro e outra fora da banheira. Os assentos das cadeiras devem ficar ao mesmo nível da borda da banheira. Pôr calços de borracha nos pés das duas cadeiras.
- No fundo da banheira, pôr um tapete de borracha com ventosas ou colar tirar de borracha.
- Instalar barras de apoio na parede lateral e na parede de topo da banheira;
- Dispor de chuveiro tipo "telefone" com uma mangueira flexível.

Procedimentos

Para evitar queimaduras, tem de se testar a temperatura da água. Podendo ser o doente a fazê-lo, deverá, para isso, usar a mão sã. Para o doente se sentar na cadeira, deve fazer entrar primeiro, na banheira, o lado doente do corpo. Para se lavar e usar o chuveiro, o doente deve usar a mão sã, utilizando uma escova de cabo comprido para lavar as costas e os pés. Deve enxaguar-se sentado. Se não houver banheira nem chuveiro, usar uma tina de plástico. A pessoa senta-se, com os cuidados referidos anteriormente, e utiliza um balde pequeno ou uma bacia, para despejar água sobre si mesmo.

Higiene

Sanita

Para ajudar o doente a sentar-se e levantar-se da sanita, fixar uma barra, na parede, junto à sanita do lado da mão sã. Se não houver parede desse lado, fixar a barra no chão. Tanto a barra como a sanita, devem ter a altura adequada à altura do doente. Para a noite, ou se não tiver sanita, pode usar-se um bacio alto.


Passagem da cadeira de rodas para a sanita:

- a porta da casa de banho deve ter largura suficiente
para a cadeira de rodas passar;
- colocar, em frente da sanita, a cadeira de rodas travada, e com os apoios dos pés levantados;
- o doente deve pôr os pés no chão, agarrar-se com a mão sã à barra de apoio, inclinar-se para a frente, virar o pé são e sentar-se na sanita.



As calças devem ser desabotoadas antes de sair da cadeira, para que elas caiam quando a pessoa se levantar.

É conven
iente habituar os intestinos a funcionar de manhã, antes de se ter arranjado.

Passeios

O mesmo tipo de ensino deve ser feito relativamente aos passeios da rua.

Para subir, colocar o pé são na borda do passeio e, em seguida, deslocar o peso do corpo para a perna sã; colocar o pé doente na borda, ao lado do pé são e, ao mesmo tempo, apoiar a bengala na borda do passeio.

P
ara descer, colocar a bengala na estrada, com os dedos do pé são sobre a borda do passeio; colocar o pé doente na estrada, dobrando o joelho são à medida que o pé for descendo. Quando a perna doente e a bengala estiverem aptas a suportar o peso do corpo, descer o pé são.

Escadas

Para que o doente possa utilizar uma escada, é necessário que esta possua dois corrimãos, um de cada lado da escada, ou um só colocado ao centro.
O ensino de subir e descer as escadas tem de ter em conta as incapacidades do doente e as características das escadas que o doente utiliza.

Para subir, deve agarrar-se ao corrimão
com a mão sã e colocar o pé são no degrau seguinte. Com a mão no corrimão e a perna sã como apoio, inclinar-se para a frente, esticar o joelho são e colocar o pé doente ao lado do são no mesmo degrau. Subir um degrau de cada vez.

Antes de começar a descer, certificar-se que a ponta do pé não se encontra na beira do degrau. Segurar o corrimão com a mão sã; colocar o pé doente no degrau seguinte, dobrando o joelho são, à medida que o pé doente desce. Quando este estiver firmemente assente, com o joelho esticado e a perna capaz de suportar o peso do corpo, descer o pé são para o mesmo degrau. Descer um degrau de cada vez.


Andar

A bengala deve ter um bom apoio para as mãos e a altura que, quando assente no chão, permita que o cotovelo do doente fique ligeiramente dobrado.
A canadiana deve ter as mesmas características que a bengala, devendo permitir que haja um bom espaço livre entre a parte superior da canadiana e a axila do utilizador. Pode também ser utilizado um andarilho, que tem a vantagem de dar mais estabilidade.

Para andar, pôr a bengala ou a canadiana à frente e ligeiramente ao lado do pé são. Avançar o pé doente até ao sítio em que foi posta a bengala, e dar um passo em frente com o pé são.
Durante a marcha, o pé doente não deve avançar para além da bengala ou da canadiana.

Ancas

Deitado de costas, o doente deverá, primeiramente, dobrar os joelhos (se necessário, com a juda de outra pessoa) e pressionar os dedos contra o colchão. Em seguida, conservando os joelhos unidos deverá levantar as ancas.

Pés e pernas

Realizar movimentos de extensão e
flexão, ou seja, esticar e encolher os pés.


Exercícios

É conveniente que seja um enfermeiro de reabilitação ou um fisioterapeuta a explicar ao doente e à família como executar os exercícios adequados. Estes ajudarão a prevenir a rigidez e a readquirir força no lado afectado, devendo ser executados com regularidade e de acordo com as instruções dadas.
São apresentados, a seguir, alguns exemplos de exercícios que podem ser realizados em casa.

Mãos e braços

A movimentação de braços e ombros deve ser cuidadosa e gradual. Não se pode pretender que o doente execute um movimento completo à primeira tentativa, mas é importante repetir o exercício várias vezes até o conseguir, ainda que isso cause alguma dor e fadiga. A imobilidade das articulações seria ainda mais dolorosa.
A instalação de uma "roldana" em casa do doente, permitir-lhe-á realizar outros exercícios de mobilização.




Mesas e cadeiras

A mesa da cabeceira deve ser colocada do lado são da pessoa para facilitar a sua autonomia.
As mesas de "trabalho" (para comer, escrever, etc...) devem ser estáveis, sólidas e suficientemente altas, de forma a não exercerem pressão nos membros inferiores e coxas, quando a pessoa estiver sentada com as pernas debaixo dela.
As cadeiras devem ser sólidas, com encosto e apoio para as mãos e os antebraços.





Cadeira de rodas


Na fase inicial da recuperação, durante a aprendizagem da marcha, o doente poderá beneficiar com a utilização de uma cadeira de rodas, que lhe permitirá deslocar-se com segurança, ir à casa de banho, participar mais activamente na vida familiar e sair para a rua. Mais tarde, à medida que for fazendo progressos no andar, poderá dispensá-la.
Deverá dar-se preferência ao tipo dobrável, que possua as seguintes características:

- travões eficazes e fáceis de manobrar;
- altura do assento que permita que os pés cheguem ao chão;
- rodas traseiras largas e rodas dianteiras de pequenas dimensões;
- apoios, para os braços, planos e alcochoados;
- apoios, para os pés, que se possam levantar.

Como o comando da cadeira de rodas é unilateral, bastam a mão e o pé sãos para a utilizar. A pessoa pode pôr a cadeira em movimento e orientar a velocidade com a mão sã e guiá-la com o pé são.


Mobiliário e Equipamento

Cama

A altura da cama deve permitir que uma pessoa possa sentar-se nela, confortavelmente, com os pés assentes no chão. Deve ser estável, para o que convém colocá-la num canto, contra a parede, e aplicar-lhe calços de borracha ou de madeira. A cama deve ser colocada de maneira a que, quando o doente estiver deitado de costas, o seu lado são fique na borda da cama que está afastada da parede, facilitando o acesso à pessoa que cuida dele. O colchão deve ser duro e, se necessário, com um estrado de madeira por baixo. Sempre que o doente estiver deitado, o pé afectado deve ser apoiado de lado, por forma a que não descaia e que os dedos fiquem virados para cima. Esta posição facilitará o treino para voltar a andar. Recomenda-se a utilização de uma protecção para os pés (gaiola ou cunha).

Introdução à Reabilitação do doente com AVC

A reabilitação de quem sofre um AVC é importante no tratamento, passado o momento agudo do acidente. Existem várias formas de reabilitação e a sua aplicação vai depender do tipo de comprometimento neurológico que a pessoa tiver. Por exemplo, no comprometimento motor, há intervenções de fisioterapia de várias naturezas.
Se o paciente tiver alteração na fala, a fonoaudiologia pode ser recomendada. Outros tipos de distúrbios neuropsicológicos, por exemplo, distúrbio de atenção, podem ser reabilitados com tratamentos neuropsicológicos. Existem recursos e reabilitação em várias esferas. Somente um especialista pode prescrever o melhor tratamento e a reabilitação adequados para o caso.
É igualmente importante o apoio de todos os membros da família, para que transmitam optimismo, paciência e compreensão, mas também é essencial resistir à tentação de ajudar excessivamente, devendo-se estimular o doente a ser o mais autónomo possível.

Como ajudar alguém que sofreu um AVC?

As pessoas que sofreram um AVC devem, por si próprias e o mais cedo possível, procurar a autonomia e desempenhar um papel activo na sua recuperação. É natural que tenham receio de experimentar novas ocupações. De início, devem ser estimuladas a realizar tarefas simples que estejam ao seu alcance, sendo-lhes dada a ajuda suficiente para que obtenham bons resultados.
Após um AVC, muitos aspectos da vida da pessoa ficam alterados.
Assim, é necessário adaptar as coisas mais simples do seu dia-a-dia, tais como o mobiliário e o equipamento auxiliar, bem como modificar os hábitos diários no autocuidado (a higiene, vestir/ despir), e incutir-lhe a vontade e a necessidade de realizar os exercícios de reabilitação.

Domingo, Fevereiro 19, 2006

Como cuidar das sequelas

Como o cérebro fica com algumas áreas afectadas, surgem sequelas relacionadas a estas áreas. As mais comuns são:

- Hemiplegia;
- Deformidades nos membros;
- Dores difusas pelo corpo;
- Complicações pulmonares;
- Paralesia facial;
- Alteração da sensibilidade...


Recomendações úteis para cuidadores de pacientes que sofreram um AVC e ficaram com uma deficiência ou sequela:

1 - Evite o pessimismo. É preciso lembrar que a vida deve ser uma experiência bonita, que vale ser vivida.
2 - As recuperações possíveis e principalmente as adaptações são quase sempre lentas. Paciência pode ser o melhor "remédio"para o cansaço.
3 - Respeitar as dificuldades do paciente e suas limitações.
4 - O paciente pode estar limitado mas não é impotente, ele tem vida, deve tentar deixá-lo realizar algumas coisas.
5 - Procurar orientação com a equipa de saúde para lidar com o paciente acamado. Ele deve ser auxiliado para mudar frequentemente de posição como também para exercitar o membro afectado.
6 - Procurar informação sobre as limitações físicas e a fisioterapia.
7 - Orientar-se quanto a alimentação: pouco sal e menor quantidade de gordura não significa que ele deve comer as mesmas coisas todos os dias.
8 - Procurar encontrar e conversar com outros cuidadores para ensinar e aprender novas rotinas nos cuidados diários. Converse também com os membros da família, todos sabem que ser cuidador é uma tarefa difícil.
9 - Sempre perguntar sem ter vergonha da dúvida: o que parece fácil para os outros nem sempre é para si.
10 - Oriente-se sempre com a equipa de saúde, isto só trará benefícios ao paciente que é cuidado por si.


Tratamento

O tratamento intensivo nas primeiras seis horas após a declaração de sintomas é essencial para limitar a lesão. Se o AVC tiver sido provocado por um trombo ou êmbolo, podem ser administrados medicamentos que dissolvem os coágulos. Podem ser administrados outros fármacos para baixar a tensão arterial, regular o ritmo cardíaco e evitar o edema cerebral. Mal o estado do estado do doente esteja estabilizado, a atenção volta-se para a reabilitação, implicando um protocolo de fisioterapia. Quanto mais precoce for a reabilitação, tanto maior será a probabilidade de uma recuperação total.

Diagnóstico e Exames Complementares


Uma suspeita de AVC requer uma imediata avaliação neurológica, incluindo avaliação do estado de consciência, orientação, memória, coordenação, visão, audição e outras funções sensoriais, para além da avaliação dos sinais vitais - tensão arterial, ritmo cardíaco, respiração e temperatura - tentando detectar sopros nos vasos sanguíneos mais importantes.


São efectuadas análises laboratoriais e electrocardiograma se houver suspeita de arritmia ou doença cardíaca subjacente.
Os exames de diagnóstico mais utilizados são
a Ressonância Nuclear Magnética, Tomografia Axial Computorizada, para detectar hemorragia cerebral ou oclusão de um vaso sanguíneo.
A Angiografia pode localizar vasos sanguíneos ocluídos e revelar zonas lesadas do cérebro. Outros exames são a Ecografia de Doppler, que estuda o fluxo sanguíneo através das artérias carótidas e de outros vasos, e a Fonoangiografia das Carótidas.
Poderá ainda ser pedido um Ecocardiograma se houver suspeita da existência de um coágulo de origem cardíaca.

Sinais de Aviso


O AVC manifesta-se de modo diferente de utente para utente, dependendo da parte e da extensão do cérebro que foi lesada, do tipo de AVC, e do estado geral do paciente.
A principal característica de um AVC é a rapidez com que aparecem os sintomas.
Em geral, o utente começa a falar "enrolando as palavras", não compreendendo o que lhe é dito, ou simplesmente não se conseguindo expressar.
É comum sentir formigueiro ou fraqueza numa das partes do corpo, apresentando dificuldade para se movimentar, além de apresentar alterações na visão.
Outro dos sintomas mais comuns, é a dor de cabeça repentina, sem causa aparente, semelhante a uma "martelada", seguida de vómitos, sonolência ou coma.
Poderá também surgir perda de memória, confusão mental e dificuldades para executar tarefas habituais.
Estes sintomas são os mais comuns, e podem até ter relação com outro problema, mas a recomendação é que a pessoa procure imediatamente um hospital.

Factores de Risco


Factores de risco definitivos e não modificáveis:


- Idade;

- Sexo;

- Factores genéticos.


Factores de risco definitivos e modificáveis:

- Tensão arterial;
- Tabagismo;

- Diabetes mellitus;

- Doença cardíaca;

- Estenose das artérias pré-cerebrais;

- Acidente Isquémico Transitório (AIT);

- Álcool.



Factores de risco prováveis para AVC:


- Lípidos;

- Fibrinogénio e hematócrito;

- Obesidade;

- Hormonas sexuais femininas;

- Sedentarismo.

Principais causas do AVC


Existem três principais causas do AVC:

- trombose cerebral: ocorre gradualmente durante um espaço de poucos dias. É mais frequente entre os 60 e 90 anos, e muitos dos doentes têm antecendentes de Hipertensão Arterial ou Diabetes mellitus, sendo a causa mais frequente a arteriosclerose. O fluxo sanguíneo é obstruído e desenvolve-se um trombo ou coágulo, que bloqueia a artéria e impede o fluxo sanguíneo de uma parte do cérebro que fica afectado.
Podem ocorrer por vezes os acidentes isquémicos transitórios (AIT's). Um terço dos doentes com AIT's poderá vir a desenvolver um AVC dentro de dois a cinco anos.

- embolia cerebral: tem um início súbito de poucas horas, sendo responsável por 5 a 14% dos AVC's. O êmbolo ou coágulo que se destacou, aloja-se numa das artérias cerebrais, sendo transportado na corrente sanguínea, acabando por ocluir uma artéria cerebral.

- hemorragia cerebral: tem um início súbito de poucas horas, sendo responsável por 10% dos AVC's.
A Hipertensão, causa frequente, provoca a ruptura ou aneurisma de um vaso sanguíneo, originando uma hemorragia cerebral. Esta hemorragia pode ocorrer externamente à dura-máter (hemorragia extradural ou epidural), por sob a dura-máter (hemorragia subaracnóide) ou no interior do parênquima cerebral (hemorragia intracerebral).

Introdução

O Acidente Vascular Cerebral é uma das principais causas de morte e incapacidade em Portugal. É uma doença mais incapacitante que fatal, sabendo-se que cerca de 20% dos doentes morrem no primeiro ano, os que sobrevivem ficam incapacitados e com défices motores e neurológicos, que os tornam dependentes de outros. A prevalência é maior em homens que em mulheres, e maior em negros que em brancos.
Quando uma zona do cérebro sofre uma interrupção da respectiva circulação sanguínea, ocorre um Acidente Vascular Cerebral, de que resulta, isquemia ou até morte dos tecidos envolvidos, sendo a doença mais comum do Sistema Nervoso.
Os AVC's são uma causa importante de sequelas graves que incluem vários graus de paralesias, hemiplegias, problemas da fala, alterações da visão e perturbações da memória.
É caracterizado pela lesão no cérebro causada por um "acidente" num dos vasos sanguíneos que irrigam a região cerebral. Pode ocorrer por entupimento desses vasos, impedindo a circulação sanguínea, caracterizando o "AVC isquémico", ou, ainda, um vaso sanguíneo pode romper-se, provocando um sangramento no cérebro. Neste caso, a denominação é "AVC hemorrágico".

Quem somos?

Olá!
Somos um grupo de alunos do 2º ano de Enfermagem, do Instituto Superior de Saúde do Alto Ave.
Com este blog, que surge no âmbito da Unidade Curricular de Técnicas de Comunicação, pretendemos dar resposta a questões relacionadas com o AVC - Acidente Vascular Cerebral - explicando de uma maneira simples no que consiste, de forma a diminuir a ansiedade que esta patologia pode provocar.
Tencionamos igualmente que este blog possa tornar mais claros os procedimentos a adoptar, assim como as suas causas, formas de tratamento e reabilitação.
Esperamos que possa ser uma ajuda a "travar" a evolução desta doença, e daí o título "ABS do AVC".
Agradecemos a todas as pessoas que o visitarem, e aguardamos comentários, sugestões e críticas construtivas.

André Leão
Élia Guimarães
Hélder Ferreira
Lara Costa
Liliana Teixeira
Mariana Ribeiro
Mónica Silva